DRAGEAU Ibérica
Lamas e aquecimento

Lamas em circuitos fechados: porque aparecem e como se eliminam

A água de um circuito fechado não se renova, por isso não tem um problema de calcário: tem um problema de corrosão. Explicamos de onde sai a magnetite, porque o piso radiante é o caso mais delicado, quanta energia se perde e o que fazem realmente as quatro soluções existentes.

Pela equipa técnica da DRAGEAU Ibérica12 min de leitura
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Lama de corrosão acumulada no interior de um circuito de aquecimento

Num circuito fechado de aquecimento ou climatização a água não se renova. Isso significa que o cálcio que trazia precipitou uma vez, no início, e aí terminou o assunto do calcário. O problema de um circuito fechado é outro e é progressivo: a corrosão interna gera lamas, uma mistura de óxido de ferro, partículas metálicas e biofilme que se deposita nos pontos baixos, reveste os permutadores e acaba por comportar-se como um isolante térmico.

É um problema silencioso. Não há uma avaria que o anuncie: há um radiador que aquece pior do que no ano passado, uma caldeira que arranca mais vezes e uma fatura que sobe sem que ninguém saiba bem porquê.

Fe₃O₄magnetite, o componente dominante da lama preta
Isolantea lama transmite o calor muito pior do que o aço
Semanaso que demora a notar-se a limpeza de um circuito muito sujo

O que é exatamente a lama de um circuito

A lama preta que sai da purga de um radiador é sobretudo magnetite, o óxido de ferro que se forma quando o aço do circuito se corrói na presença de água e oxigénio. A essa base juntam-se outros componentes que explicam porque o depósito é tão heterogéneo:

  • Óxidos de ferro, provenientes de radiadores de aço, tubagens de aço preto e corpos de bomba.
  • Partículas de cobre e de alumínio, arrancadas por corrosão galvânica onde convivem metais diferentes.
  • Biofilme bacteriano, que prolifera especialmente em circuitos que trabalham a baixa temperatura.
  • Restos de montagem: aparas, restos de decapante, fibras de estopa e sujidade que ficou lá dentro no dia da obra.
  • Carbonato residual, o pouco que precipitou da água de enchimento inicial.

De onde vem o oxigénio, se o circuito está fechado

É a pergunta certa, porque um circuito verdadeiramente estanque corrói-se uma vez e estabiliza. Se a lama continua a gerar-se ano após ano é porque entra oxigénio, e só há algumas vias possíveis:

  1. Reposições de água frequentes. Cada enchimento introduz água nova carregada de oxigénio dissolvido. Um circuito que é preciso reencher com frequência tem uma fuga, e é essa fuga que alimenta a corrosão.
  2. Tubagens sem barreira anti-oxigénio. Alguns plásticos são permeáveis ao oxigénio atmosférico. Em piso radiante é um clássico de instalações antigas.
  3. Vasos de expansão mal dimensionados ou descarregados, que fazem entrar ar nas depressões.
  4. Purgadores automáticos defeituosos, que deixam passar ar em vez de o expulsar.
  5. Corrosão galvânica, que não precisa de oxigénio externo: basta que convivam aço, cobre e alumínio no mesmo circuito.

Os sintomas que denunciam um circuito com lamas

  • Radiadores frios na parte de baixo e quentes em cima. A lama deposita-se por gravidade e ocupa o fundo do elemento.
  • Radiadores que não aquecem no fim do ramal, enquanto os primeiros funcionam bem.
  • Água preta ou castanha escura ao purgar, com partículas em suspensão.
  • Ruídos de circulação, borbulhar ou batimento em tubagens e corpo de caldeira.
  • A caldeira arranca e para constantemente, em ciclos curtos, porque não consegue dissipar o calor que produz.
  • Consumo em alta com o mesmo uso e a mesma temperatura de referência do ano anterior.
  • Bomba circuladora que bloqueia ou que avaria mais do que uma vez.
  • Piso radiante com zonas mornas e distribuição irregular entre circuitos.

Quando surgem três ou quatro destes sintomas em conjunto, o diagnóstico raramente falha. O teste mais simples é purgar no ponto mais baixo da instalação e olhar para a água que sai.

O que um circuito sujo custa à instalação

A lama transmite o calor muito pior do que o metal onde se deposita. Uma camada fina na superfície interior de um radiador ou de um permutador basta para degradar a permuta térmica, e a consequência é sempre a mesma: a caldeira tem de trabalhar mais para entregar a mesma temperatura ambiente.

Efeitos de um circuito com lamas
ComponenteO que lhe aconteceConsequência
RadiadoresA lama reveste o interior e ocupa o fundoSuperfície útil reduzida e distribuição desigual
Permutador da caldeiraA secção de passagem suja-seCiclos curtos, rendimento em baixa, sobreaquecimento
Bomba circuladoraTrabalha contra mais resistência e com abrasivoMaior consumo, desgaste e bloqueios
Válvulas termostáticasEmperram por sedimentoRegulação impossível, radiadores fora de controlo
Piso radianteDepósito em tubos de pequeno diâmetroCaudal reduzido e calor irregular
Circuito completoMenos caudal, mais perda de cargaMais consumo energético para o mesmo conforto

A isso soma-se o custo das avarias. Uma bomba substituída, um permutador desmontado e limpo com ácido, um conjunto de válvulas termostáticas trocadas: todas são intervenções atribuídas ao desgaste e que na realidade têm uma causa comum a montante.

Em instalação industrial a conta é de outra ordem. Os circuitos são maiores, a manutenção química tem um custo elevado e uma paragem de produção por avaria de circuito mede-se em valores que não admitem comparação com o do equipamento que a teria evitado.

Porque o piso radiante é o caso mais delicado

O piso radiante reúne duas condições que o tornam especialmente sensível à lama. A primeira é geométrica: os tubos são de pequeno diâmetro e muito longos, pelo que qualquer depósito reduz o caudal de forma percetível, torna a distribuição de calor irregular e, em casos graves, pode chegar a obstruir um ramal completo.

A segunda é térmica: o piso radiante trabalha a baixa temperatura, tipicamente entre 30 e 45 °C, que é precisamente a gama que favorece a proliferação de biofilme bacteriano. Esse biofilme soma-se ao óxido e acelera a sujidade.

E há uma terceira razão, prática: o piso radiante não se desmonta. Um radiador pode descolar-se e lavar-se; um circuito embebido na laje, não. Tudo o que se possa fazer para o manter limpo por dentro vale a dobrar.

As quatro soluções que existem e o que faz cada uma

  1. Lavagem química do circuito

    Esvazia-se, faz-se circular um produto desincrustante e dispersante e enxagua-se. É uma operação curativa e pontual: deixa o circuito limpo nesse dia. Não impede que a lama volte a formar-se, por isso tem de se repetir.

  2. Inibidor de corrosão

    Um produto químico doseado na água do circuito para travar a corrosão. Funciona enquanto a concentração se mantiver, o que obriga a controlá-la e a redosear após cada esvaziamento ou reposição importante.

  3. Separador magnético de lamas

    Um filtro instalado no retorno que captura as partículas ferrosas já em circulação. Retém, mas não evita que se gerem nem atua sobre o que está aderido às paredes. Tem de ser purgado com regularidade.

  4. Tratamento físico permanente

    Um equipamento intercalado no circuito que mantém as partículas em estado não aderente de forma contínua, com efeito curativo sobre o depósito já existente. Sem produto, sem consumíveis e sem doseamento a controlar.

As três primeiras são complementares entre si e todas partilham o mesmo limite: dependem de uma ação recorrente. A comparação detalhada entre o separador magnético e o tratamento permanente está neste artigo.

O DS-i Antilamas: o que faz e onde se instala

O DS-i é o equipamento da DRAGEAU para circuito fechado, e trabalha com a mesma física do anticalcário: a geometria interna faz o fluido girar em vórtice, um estreitamento tipo Venturi acelera-o e essa aceleração gera ondas sonicofísicas de baixa frequência. Sobre as partículas em suspensão (óxido, lama, biofilme) o efeito é mantê-las em estado não aderente: deixam de se colar às paredes das tubagens e aos componentes, ficam em suspensão no fluido e evacuam-se de forma natural pelo purgador ou pelo ponto de esvaziamento em cada purga.

O efeito curativo funciona como no anticalcário: se já houver lama aderida, o equipamento vai fragmentando esse depósito até deixar o circuito limpo. Não de uma vez, e isso é deliberado: os depósitos soltam-se de forma gradual, em partículas finas, o que evita que circulem fragmentos grandes capazes de obstruir um componente a jusante.

  • Instala-se no retorno do circuito, antes da caldeira ou do equipamento gerador.
  • Ligação de rosca padrão, como qualquer acessório de circuito.
  • Troço reto antes e depois, sem cotovelos nem válvulas imediatamente ao lado.
  • Não se solda sobre o equipamento: primeiro a tubagem, deixa-se arrefecer e depois enrosca-se.
  • Sem consumo externo: nem eletricidade, nem água, nem consumíveis. A própria energia hidráulica do circuito ativa o mecanismo.
  • Compatível com qualquer material: aço preto, cobre, multicamada, polipropileno.

Um instalador habituado a circuitos de aquecimento monta-o em menos de uma hora. A gama cobre desde meia polegada, para instalações domésticas, até modelos com flange para grandes circuitos industriais e de redes de calor.

Podcast FAQ dispositivo ANTILODODoze perguntas de instaladores sobre o DS-i: manutenção, tamanhos, estado do circuito, compatibilidade com químicos e rendimento. Vídeo em espanhol.Ver no YouTube

Quanto tempo demora a limpar-se um circuito?

É preciso ser honesto com os prazos, porque é aí que mais se dececiona o cliente se lhe prometermos a mais. Num circuito em estado razoável o efeito nota-se em poucas semanas. Num circuito muito deteriorado, com anos de lama e corrosão acumuladas, o processo pode levar vários meses.

O que convém prever é uma purga inicial depois de instalar, para retirar as primeiras lamas que o equipamento solta, e alguma purga pontual durante os primeiros meses se o circuito tinha muito tempo sem manutenção. Não é trabalho acrescentado: é o que um instalador já faz numa revisão normal do sistema de aquecimento.

Perguntas frequentes sobre lamas e circuitos fechados

Para onde vai a lama se o equipamento não a filtra?

Mantém-se em suspensão no fluido, sem aderir às paredes, e evacua-se pelo purgador ou pelo ponto de esvaziamento do circuito quando se faz uma purga. Não desaparece sozinha: impede-se que se deposite e retira-se na operação de purga, que é uma tarefa de manutenção habitual.

Funciona se o meu circuito já tem tratamento químico ou glicol?

Sim, não há incompatibilidade nem reação entre ambos. A forma habitual de o fazer é instalar o equipamento e manter o tratamento químico durante um período de transição, enquanto o circuito se limpa, e reduzir depois a dose de forma progressiva até a eliminar.

O equipamento pode danificar um circuito muito sujo ao limpá-lo?

Não, porque o desprendimento é gradual e controlado. Os depósitos vão soltando-se em partículas finas, não em placas, precisamente para evitar que circulem fragmentos capazes de obstruir uma válvula ou um permutador. Em circuitos muito deteriorados recomenda-se uma lavagem química prévia, que encurta o processo.

Que manutenção tem o equipamento?

Nenhuma por parte do equipamento: não tem partes móveis, não consome eletricidade, não leva consumíveis e não necessita de revisões. O que se recomenda é a purga inicial após a instalação e alguma purga pontual nos primeiros meses se o circuito estava muito carregado.

Serve também para circuitos de refrigeração e climatização?

Sim. Qualquer circuito fechado tem o mesmo problema: ventiloconvectores, sistemas de climatização, circuitos de calor de processo, torres de arrefecimento e redes de calor urbano. A lógica do tratamento é a mesma do aquecimento.

É obrigatório tratar a água de um circuito fechado?

A regulamentação de instalações térmicas em edifícios exige prever o tratamento da água dos circuitos fechados para prevenir a corrosão e as incrustações. A forma de o cumprir fica ao critério do projetista, e é aí que se escolhe entre tratamento químico e tratamento físico.

Sobre este artigo

Redigido pela equipa técnica da DRAGEAU Ibérica com base nas fichas técnicas da gama, nos certificados dos produtos e na experiência adquirida em instalações em Espanha, Portugal e Andorra. Os intervalos e as estimativas são assinalados como tais no texto.

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