DRAGEAU Ibérica
Lamas e aquecimento

Separador magnético de lamas ou tratamento permanente: o que faz cada um

Os dois instalam-se no retorno e os dois prometem um circuito limpo, mas não resolvem o mesmo. Um captura partículas; o outro atua sobre a sua capacidade de aderir. Comparamos alcance, manutenção, efeito sobre o depósito existente e em que casos faz sentido montar os dois.

Pela equipa técnica da DRAGEAU Ibérica10 min de leitura
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Equipamento DS-i com montagem por flange num circuito fechado

Os dois equipamentos montam-se no mesmo sítio, no retorno do circuito antes da caldeira, e ambos são vendidos com a mesma promessa: um circuito limpo. Mas atacam o problema em momentos diferentes. Um separador magnético de lamas captura as partículas ferrosas que já circulam na água. Um tratamento físico permanente atua sobre a capacidade dessas partículas para aderir, e inclui efeito curativo sobre o que já está depositado nas paredes.

Dito de forma direta: um recolhe, o outro impede que se cole e descola o que colou. Não são substitutos exatos, e perceber a diferença evita comprar duas vezes a mesma função ou deixar o problema a meio.

Comparação
Separador magnéticoTratamento físico DS-i
O que fazRetém partículas ferrosas em circulaçãoMantém as partículas em estado não aderente
Atua sobre o depósito já aderidoNãoSim, efeito curativo progressivo
Partículas não ferrosasCaptura limitadaAtua igualmente sobre biofilme e não ferrosos
ConsumoNenhumNenhum
ManutençãoPurga periódica do copo obrigatóriaPurga inicial e alguma pontual no início
Perda de cargaApreciável, e aumenta ao sujar-seReduzida e estável
Efeito se não for purgadoSatura e deixa de reterContinua a atuar
Vida útilDepende do íman e das juntasCorpo maciço em inox 316L, sem partes móveis
ConsumíveisNenhumNenhum

O que faz um separador magnético e onde está o seu limite

Um separador de lamas é um copo intercalado no retorno com um íman potente no seu interior. A água reduz a velocidade ao entrar, as partículas mais pesadas decantam e as ferrosas ficam presas pelo campo magnético. Em cada manutenção purga-se o copo e retira-se o acumulado.

É um dispositivo útil e bem resolvido. Os seus limites são três, e todos importam na hora de decidir:

  1. Não evita que a lama se gere. Captura o que já se formou e já circula. A corrosão continua a produzir magnetite ao mesmo ritmo.
  2. Não atua sobre o que está aderido. O depósito colado ao fundo de um radiador ou a revestir o interior de um permutador não circula, por isso nunca chega ao filtro.
  3. Depende de alguém o purgar. Um separador saturado deixa de reter e ainda acrescenta perda de carga. Em instalações sem contrato de manutenção, é fácil que passe anos sem ser aberto.

O que faz um tratamento físico permanente

O DS-i atua sobre o fluido à sua passagem, pela mesma via física do anticalcário: vórtice, aceleração Venturi e ondas sonicofísicas de baixa frequência. O resultado é que as partículas em suspensão ficam num estado em que não aderem às paredes das tubagens nem aos componentes do circuito. Deixa de haver depósito novo. E as mesmas ondas vão fragmentando o depósito que já existia, que se solta de forma progressiva e se evacua nas purgas.

O desprendimento é gradual por conceção, não por lentidão: procura-se que os depósitos se soltem em partículas finas e não em placas capazes de obstruir uma válvula termostática ou um permutador a jusante. Num circuito muito deteriorado o processo pode levar vários meses.

INOX 316LCorpo maciço, sem partes móveis
25 barPressão de trabalho
10 anosDe garantia

O equipamento não consome nada: nem eletricidade, nem água, nem consumíveis. A própria energia hidráulica do circuito ativa o mecanismo interno.

Reter ou impedir que adira: porque não é o mesmo

A distinção parece subtil e decide o resultado. Um filtro trabalha a jusante do problema: espera que a partícula exista, se solte e passe pelo seu copo. Um tratamento permanente trabalha sobre a condição que faz com que a partícula se cole, por isso atua em todo o circuito ao mesmo tempo, incluindo as zonas por onde a água passa devagar e de onde nunca seria arrastado nada para o filtro.

SituaçãoSeparador magnéticoTratamento permanente
Partícula solta em circulaçãoRetém-naMantém-na solta e evacua-se na purga
Lama aderida ao fundo de um radiadorNão a alcançaVai fragmentando-a
Biofilme em piso radiante a baixa temperaturaSem efeito apreciávelAtua sobre ele
Permutador já revestidoNão o alcançaLimpa-o de forma progressiva
Circuito acabado de lavarMantém a limpeza se for purgadoMantém a limpeza sem intervenção

E a lavagem química? E o inibidor?

A lavagem química é uma operação curativa pontual: esvaziar, fazer circular um desincrustante e dispersante, enxaguar e voltar a encher. Deixa o circuito limpo nesse dia e é a melhor forma de partir do zero quando o estado é muito mau. Não previne nada: sem uma medida permanente por trás, o circuito volta ao ponto de partida.

O inibidor de corrosão é de facto preventivo, mas funciona apenas enquanto a concentração se mantiver. Cada esvaziamento parcial, cada reposição de água e cada intervenção diluem-na, pelo que exige controlo periódico e redoseamento. Além disso gera uma dependência de produto que, em instalação industrial, se converte numa rubrica de despesa e numa gestão de resíduos.

Faz sentido montar os dois?

Sim, em duas situações concretas. A primeira, num circuito muito deteriorado durante a fase de limpeza: enquanto o DS-i vai soltando o depósito acumulado, um separador recolhe parte desse material e reduz a frequência de purga necessária. A segunda, em instalações grandes em que o volume de material solto durante os primeiros meses justifica um ponto de captura.

Numa instalação doméstica em bom estado, montar os dois é redundante. A sequência razoável é lavagem química se for preciso, tratamento permanente depois, e separador apenas se o caso o pedir.

Gama DS-i por calibre

ReferênciaLigaçãoDiâmetro nominalCaudal máximoMontagem
DS-i20¾″DN201,2 m³/hRosca fêmea
DS-i251″DN254,4 m³/hRosca fêmea
DS-i321″¼DN325,7 m³/hRosca fêmea
DS-i401″½DN409,5 m³/hRosca fêmea
DS-i502″DN5017,5 m³/hRosca fêmea
DS-i652″½DN6529 m³/hFlange PN16
DS-i803″DN8041,8 m³/hFlange PN16
DS-i1004″DN10091 m³/hFlange PN16
DS-i1506″DN150300 m³/hFlange PN16
DS-i2008″DN200510 m³/hFlange PN16

Dados das fichas técnicas oficiais. Para a maioria dos casos residenciais e de edifício, os calibres de rosca cobrem a instalação completa; indústria e redes de calor passam a montagem por flange.

O equipamento instala-se no retorno, antes da caldeira ou do gerador, com troço reto antes e depois e sem soldar sobre o corpo. Os detalhes de montagem e os sintomas que justificam intervir estão em Lamas em circuitos fechados.

Perguntas frequentes

Posso retirar o separador se instalar um DS-i?

Tecnicamente sim, embora o prudente seja mantê-lo durante a fase de limpeza do circuito, que é quando mais material se solta, e decidir depois. Se for mantido, há que continuar a purgá-lo: um separador saturado acrescenta perda de carga sem contribuir com nada.

O DS-i precisa que o circuito esteja limpo para funcionar?

Não, funciona igualmente num circuito sujo. O que muda é o prazo: quanto pior for o estado de partida, mais tempo demora o efeito curativo a notar-se. Em circuitos muito deteriorados, uma lavagem química prévia encurta bastante o processo.

O que acontece às partículas que não são ferrosas?

É uma das diferenças importantes. Um separador magnético está otimizado para reter ferro; o biofilme bacteriano e as partículas de cobre ou alumínio escapam-lhe em boa medida. O tratamento físico atua sobre a aderência independentemente da natureza da partícula.

Serve para instalações industriais?

Sim, e é onde mais se nota o valor. Os circuitos são maiores, o custo da manutenção química é elevado e as paragens de produção por avaria de circuito são caras. Eliminar biocidas, anticorrosivos e gestão de resíduos tem um impacto direto na exploração.

Importa o material das tubagens do circuito?

Não. O equipamento atua sobre o fluido, não sobre a parede, por isso é compatível com aço preto, cobre, multicamada e polipropileno. Em circuitos de aquecimento antigos, onde convivem vários materiais, é uma vantagem prática.

Sobre este artigo

Redigido pela equipa técnica da DRAGEAU Ibérica com base nas fichas técnicas da gama, nos certificados dos produtos e na experiência adquirida em instalações em Espanha, Portugal e Andorra. Os intervalos e as estimativas são assinalados como tais no texto.

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